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Pai!
O cipreste, indiferente,
contempla o teu silêncio.
Dormes, lentamente,
nessa cova imensa
que abriram para ti...
A agonia do teu corpo
ainda e sempre dói,
porque o teu sangue
tem a tua foz em mim
e tudo acontece
entre o real
e o fantástico
de nada ter acontecido.
Penso...repenso,
sem concretizar
esta ideia ao avesso...
É preciso domar
a ferida persistente
que não fecha,
é preciso acreditar,
que, como o cisne,
o grande Homem
está morto,
ainda que estejas vivo
- PAI! -
Ignoro...não choro,
passo à frente da verdade.
Cansada demais
para avistar miragens
recordo, vagamente,
que um dia te enterrei
- mas quem era eu
para te dispensar assim? -
Dizem-me que dormes,
lentamente,
nessa cova imensa...
Atravessa os meus sonhos
e força-me a crêr
que a razão
está na mente dos outros.
Tudo isto é,
ainda, areia
não pisada,
a violência dos dias de agora
mas, mesmo assim,
como é difícil acreditar!
E o cipreste, indiferente,
contempla o teu silêncio!
PAI!!!
©
Maria Amélia Fernandes
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