Mãe!

Há uma névoa em mim
que não dissipo
e. estranhamente,
revejo tudo claro.

O pai a chamar:
- MARIA LUÍSA!!! - 

E tu, calada, olhos fechados,
vias a dor crescer em nós  
e arrefecias,
habitavas já uma estrela
inacessível...
... e nós ali,
à espera que acordasses...


Mãe!
Que fazer deste tempo 
inesperado?
Ir entretendo a vida
que nos morde?
Ou fingir...
.. e ir acreditando
que é mentira
isso de estares assim:
- olhos fechados,
mãos frias, cruzadas
sobre o peito,
que era o abrigo
que não teremos mais...? -


Mãe!... Mãe!!!...
Que vazio sem dimensão!
E sempre, sempre,
o martelo da memória
a insistir
nesse momento de te vermos
a dormir
e, ao mesmo tempo,
à espera que acordasses...!

©copyright2004, Maria Amélia Fernandes

(registado na Sociedade Portuguesa de Autores)      

 

 

 

 

                           

 

 

 

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