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Não partes à noite
e de manhã ficas
mas nunca cá estás:
é como se fosses...
... mesmo que não vás.
E o ter-te sem ter
há muito assim está.
Quem fica comigo
e me vai trazer
para o lado de cá?
Se espero um amigo!
quem vem avisar-me
que aqui não virá
e depois levar-me
à margem de lá
onde o amigo está?
Se a noite é castigo
(para que pecado?)
isto de estar vivo
é cumprir um fado
que o redimirá?
Tudo o que é vasto,
denso e profundo,
não se encontra à venda
nem a correr o mundo
Eu não estou à venda,
não saio daqui!...
...acham que perdi,
deixam-me no fundo?
Se não houver perigo
-estou diferente, eu sei!-
podias pensar,
ainda que ao de leve,
em ficar comigo
(e o que não serei)
por um instante breve?
Dependentemente,
contei-te a verdade,
mas... e a realidade?
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©copyright2004,
Maria Amélia Fernandes
(registado
na Sociedade Portuguesa de Autores)
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