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Mãe!
Longos anos, mas que tão breves foram,
aqueles em que a outros,
que não tu,
contei como os teus olhos
eram os mais belos, assim,
pelo menos para mim,
- belos quase ao impossível!-
Vezes sem conta, sem fim,
enalteci o teu sorriso
a que nenhum, mais nenhum,
(mais nenhum outro, acredita!)
podia ousar comparar-se...
E, contudo e sempre incapaz
de só a ti, o declarar;
Mas já é tão tarde... e tudo fora tão simples:
- "Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!
"Beleza! Tens sorriso de Mulher:
o teu sorriso é verde
e tens os olhos de minha Mãe! -
- Mãe, minha Mãe!
Que até quando choravas
esse teu belo sorriso
havia e era presente! -
E nós, minha Mãe,
nós, nós somos, claro,
o teu jardim suspenso
onde, quais girassóis,
necessariamente,
diariamente,
permanentemente,
esperamos...
...rodando, rodando,
em busca do sol verde,
alegre e intenso,
do lago e da cascata,
do canto envolvente da sereia
que o teu sorriso emana,
constante e quente,
pedra preciosa a brilhar,
na tiara de uma princesa.
Era esse, Mãe, o teu sorriso;
uma onda de muitos mares,
um terno beijo de Amor.
que desde o berço nos davas.
Não! Pintor algum
o conseguiu retratar
na sua imensa paleta de cores:
faltava o brilho, a luz,
a profunda claridade.;
sorriso que era um enigma:
- até quando choravas
ele havia e era presente! -
Por isso,
faz-me um últímo acalento,
dá-me um último alento,
sorri só mais uma vez...
...e depois, Mãe, podes partir!
©
Maria Amélia Fernandes |